O Que Representa a Dor?

Em uma discussão de caso clínico, sobre um de nossos pacientes, norteamos os comentários para a representação da dor. Achamos interessante trazer um pouco do conteúdo da discussão para cá. Nosso intuito não é conceituar a Dor, mas levar a visão profissional do que ela significa para nós, fisioterapeutas, dentro de cada tratamento.
A dor é referida em diversos pacientes e em diversos momentos. Raramente um paciente chega ao tratamento sem dor. Neste ponto, já lançamos um comentário: “Sem dor esta pessoa procuraria atendimento?” Não é nosso intuito julgar, mas é fato claramente observado que, na maior parte, o paciente só chega até nós porque sofre de dores da qual já não tolera mais. Por isto, aqui fazemos questão de mencionar o que a muito já sabemos: “A prevenção é a alma do negócio”. Mas, falaremos diretamente de Prevenção em outra postagem. Voltemos à Dor.
Se pudermos simplificar o entendimento, sugerimos dividir nossa realidade em dois tipos de dor: Dor Patológica e Dor Terapêutica. A dor patológica é a que não temos domínio. Aparece pela própria doença e faz mal, ou seja, prejudica o paciente. É a dor que ninguém quer sentir, mas não pode evitar, pois algum processo patológico (doença) impõe sobre o organismo. Dor Terapêutica é o momento de dor em que está sob o controle e domínio do terapeuta. É algo esperado dentro da necessidade de tratamento. Não faz mal. Ela dá parâmetros de evolução. Está ligada à doença, porém seu aparecimento mostra que o problema está sendo tratado e proporciona segurança ao profissional em suas técnicas. Faz bem para o paciente, não pela dor em si, mas pelo que ela proporciona. Pode parecer contraditório falar que dor faz bem, mas vale lembrar que falamos de Dor Terapêutica, onde todo o tratamento está sob domínio de um profissional devidamente habilitado para tal. Como exemplo, podemos citar: em um alongamento o paciente pode referir uma dor, e o profissional saberá esclarecer que a dor referida é, exatamente, esperada pela ação terapêutica do alongamento sobre o grupo muscular desejado no tratamento; logo, esta dor referida será uma Dor Terapêutica.
Para finalizar, a dor é subjetiva. Não compete ao profissional simplesmente descobrir a dor. Ela é referida pelo paciente e ele é quem mostrará as reações de seu organismo para o terapeuta ao longo do tratamento. Dele partirão as informações necessárias para o profissional identificar o tipo de dor. E, tendo-se todo o respeito às técnicas e aos limites do paciente, um excelente trabalho pode ser realizado ao administrar a Dor Terapêutica. E, é claro, o resultado deste trabalho levará ao alívio e/ou extinção da Dor Patológica.