(O tema do texto abaixo foi sugestão de um de nossos leitores. A este agradecemos a contribuição. Comente e envie suas perguntas também.)
Em uma breve passagem por um estabelecimento comercial, notamos algo que chamou nossa atenção. Ao ver o trabalho de um repositor de mercadorias, feito com significativa velocidade, observamos que havia algo diferente, mas não conseguimos identificar de imediato. Em alguns segundos de observação, com toda atenção e discrição, tentamos observar o que havia de “diferente” na cena. O repositor apresentava uma deficiência física, provavelmente de origem genética, em que um de seus antebraços e mão não existiam. Seria tão óbvio ver a deficiência não fosse pela velocidade de seu trabalho. Era como se não houvesse deficiência alguma.
Pode parecer algo simples, mas no contexto de nosso entendimento profissional tornou-se uma cena valiosa. É fácil olhar um deficiente e observar sua limitação física como uma gigantesca pedra no caminho. Geralmente, não temos o olhar preparado para ver primeiro o que o outro faz de melhor. As considerações veem achando o problema para depois dar as soluções ao invés de apenas considerar o fato: “Ele é capaz de fazer; e bem feito!”; não importando suas limitações. Demais considerações a parte, aquele “profissional” com sua destreza demonstrou claramente que a ignorância condena mais do que a limitação. Por um momento, tivemos nossa ignorância anulada. Assim, vimos a competência profissional do trabalhador, demonstrando sua força. Tamanha agilidade e destreza foram fundamentais para isso, ou seja, para anular sua limitação na cena. Talvez, alguém disperso olhasse e nem mesmo notasse.
Diante do fato, propomos os questionamentos: “Devemos encarar a deficiência física, em seus aspectos práticos, como limites ou obstáculos, tendo em vista que todos nós somos dotados de limites e todos nós enfrentamos obstáculos em nosso caminho, dia após dia? E mais, se entendermos a deficiência como ‘obstáculo’, não seria como aceitar que nos tornamos mais ‘parecidos’, uma vez que nossos limites não podem ser mudados, mas os obstáculos podem ser vencidos?”